sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Esse teu olhar...





Esse teu olhar que me entontece
Que me penetra mas não esclarece
A essência de tal sentimento
O desejo do caloroso beijo
Tão aguardado p’lo ensejo
Mas que corre tão rápido como o vento

Dedos em pétalas de rosa
Afagam o meu corpo em prosa
E desbravam-me sem pudor
Todos os recantos são cortejados
Pelas tuas mãos navegados
À chegada do beija-flor

Brilham estrelas no firmamento
Num brinde ao esperado momento
Em que as almas se fundiram
Nossos corpos entrelaçados
Por doces beijos deliciados
E p’lo amor que descobriram.

Os meus silêncios...





São os meus silêncios lamentos…
Arrastados pelas correntes e p’los ventos
Em gritos de dor que ecoam o universo
É alma que sangra a toda a hora
Na hemorragia das lágrimas que chora
Abandonadas na folha de um só verso

Estas luzes que o sol apagou
No queixume de quem se magoou
Vibram como cascavéis numa enseada
Trespassam o corpo frágil sem piedade
Ocultam a origem e a verdade
Num silêncio que tanto diz e não diz nada

Percorro todo um caminho perdido
Deambulando e de coração ferido
P’los gritos do silêncio que me acompanha
Com os trajes da mágoa e da saudade
Vou sorrindo pelas ruas da cidade
Como quem se despede de dor tamanha.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Florbela...




Dá-me de beber! Oh Florbela
Embriaga-me na poesia mais bela
Para que eu te possa cantar
Tanto de ti e de ti nada
Mulher poema, mulher desgraçada
Nos trilhos do versejar

Tantas dores te assolaram a vida
Mulher amada mulher sofrida
Nos silêncios da desventura
Ensina-me a amar a saudade
A colher as rosas da inverdade
P’ra matar os espinhos dessa tortura

Florbela, Florbela…
Lágrima esquecida inócua donzela
Coração que teimou em amar, amar, amar
Dessa teimosia foste escrava
Na poesia rosa brava
Como quem colhe sem semear…

Paula Martins

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sonhos roubados...


Quantos silêncios…
Quantas noites mal passadas
Quantas alvoradas tristes
E quantas primaveras castradas

Quanta miséria escondida
Quanta lágrima derramada
Quantos filhos perdidos
E quanta casa desgraçada

Sonhos que foram roubados
Poetas silenciados
Poemas que não foram lidos
A tela que não se viu
A peça que não se aplaudiu…
Arquivo da história dos esquecidos

Oh! Seres que destruís o mundo
E que sepultaste a esperança do povo
Abri as portas à lealdade
Defendei a humanidade
Para que floresça um mundo novo.

Paula Martins


terça-feira, 22 de julho de 2014

Donzela do Sado…



Sardinha fresquinha
De Prata, vivinha
Que o rio nos oferece
Não há outra como ela
Do Sado é a donzela
E a Setúbal enaltece

A saltar vivinhas
Sempre, sempre a brilhar
Parecem luzinhas
Nas canastras a saltar
E os pescadores
São embaixadores
Que te trazem do mar

Sardinha, sardinha
Tu és a alegria
Dos Setubalenses
No prato ou no pão
Comida à mão
A todos tu convences

A saltar vivinhas
Sempre, sempre a brilhar
Parecem luzinhas
Nas canastras a saltar
E os pescadores
São os embaixadores
Que te trazem do mar.

Paula Martins

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Rota perdida...


Oh! mar, que secaste as tuas águas
Onde tantas vezes afoguei mágoas
Num turbilhão de correntes
Deixaste-me agora à deriva
Sem porto e de alma cativa
Vou perdida das minhas gentes

 Deixaste-me um luar apagado
Um sorriso naufragado
E uma tela por pintar
Embarquei no sonho do poeta
E como uma marioneta
Rodopiei para te encontrar

Mas não te vi na imensidão…
E sem rasto de compaixão
Caminhei em rota perdida
E presa ao leme do desespero
Servi lágrimas como tempero
À poesia que me alimentou a vida.

Paula Martins

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Quando eu morrer...






Quando eu morrer…
Que seja morte eternizada
Que os poetas se vistam de memórias
Ficando minh’alma a versos abraçada

Deixo minh'obra inacabada
Com tanto demim e de mim nada
Para que nela possam divagar
São retalhos…ou talvez gotas de vida
De alguém que por sofrer andou perdida
Que nem eu mesma sei decifrar

Quando eu morrer…
Que nasça em mim a alvorada
Que as flores exalem perfumes
Nas páginas onde posso ser encontrada

Tatuei vida nos poemas que escrevi
Com as emoções que senti…
Sorrisos e lágrimas que chorei
Amor, revolta e fantasia
O que vi e senti a cada dia
Nos trilhos deste mundo por onde andei.


Paula Martins

domingo, 6 de abril de 2014

Escreve de mim...




Escreve de mim, oh! Madrugada acordada
A história que o tempo esqueceu
A lágrima que foi derramada
No verso que o poeta perdeu

Mar, luz, fogo ou giesta
Ninho, gruta, raiva e dor
Sentimento, dádiva e festa
Inventa-me hoje e dá-me cor

Penteia-me a vida em quadras
Rima-me em todo o teu esplendor
Num oceano de verdades entrançadas
À subtil escrita por amor

E nas folhas por ti desenhadas
Com palavras de bem saber
Serei das obras mais desejadas
Que um dia a madrugada viu nascer…


Um enigmático burro...



Nasceste Burro, Burro és!
Pseudo inteligentes…e nunca Burros
Se hão-de ajoelhar a teus pés

Deixa falar os que Burros não são
Que zurrem de boca suja e desgraçada!
Enquanto tu meu Burro, falas com o coração
Para burros que não entendem nada

Corre! Burro corre!
Corre e avança de cabeça erguida
De Burro és Vitorioso
E os que Burros não são
Serão sempre uns fracassados na vida!

Não te deixes silenciar meu Burro
Tu de Burro és inteligente
E neste mundo de Xico-espertos
De tão Burro tu és Grande
De tão Burro tu és Gente.

Pássaros feridos...


Algures…no templo dos perdidos
Em terras de ninguém
Cantam pássaros feridos
As dores de quem já nada tem

São cânticos silenciados
Pela luz duma natureza morta
Tão frios e apagados
Como as penas que cada um transporta

São gritos na noite
Da fome que se faz sentir
São Homens encurralados
Contra a força de um menir

Ai maldição que és tão fria
Maldição que foste imposta
A tua chegada foi sombria
Austera e sem resposta

São gritos na noite
Contra a opressão severa
Bandos de pássaros feridos
Desafiam a força da fera.

Sozinha...




Quando tu não estás…
Naufraga em mim tal sentimento
Exalo saudade no momento
E perco-me nas vielas da agonia…
Danço com as palavras que não disseste
Entrego-me ao sentimento que não me deste
E abraço-te por entre lençóis de fantasia…

Faço amor com as memórias sonhadas
À luz das horas desmarcadas
Numa noite em que a lua não acordou
O meu corpo vibra no deleite
E entre gemidos tudo é aceite
Mas por mim nem o um beijo passou

Grito agora aos quatro ventos
Sem rancor nem lamentos
Qual mulher de alma destroçada
Vivo a vida a cada segundo
No palco da vida enfrento o mundo
E das trevas acordo a noite estrelada.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tempo perdido...







Maldito tempo que não passa…

Tempo que marcou pela desgraça

Ferida que doeu e sangrou…

À noite numa praia deserta

Esperar-te-ei em hora incerta

E dar-te-ei a beber o fel que me matou


Procuro-te na hora escondida

Aquela que te pariu para a vida

E que te deu a corda para correr

Tropeça agora em cada segundo

Para que não tragas mais mal ao mundo

E para que eu possa renascer


Ah! Tempo que andas fugido

Por entre sombras escondido

Mas que um dia te hei-de encontrar

Talvez nas nuances duma tela

Numa escultura singela

Ou num poema por decifrar…


Vem e enfrenta-me agora!

Antes que chegue a aurora

Gritando o amanhecer

Embarca no vento norte

E numa rajada de sorte

Ainda te possa refazer…








Paula Martins

07/09/2013




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Chamem-me louca...

Sou quem fui mas já não sou
A mulher que o vento levou
Sou o resto que de mim ficou…

Vivo em constante procura
Da minha essência, alegria e doçura
Mas há quem lhe chame loucura…

Chamem-me louca…
Que não me importo
Podem rir-se que eu suporto
Critiquem-me que eu aguento
Mas... não ousem tocar-me que eu rebento…

Mantenho a criança que trago em mim
E não sois vós que a vão matar…
Seres impuros que vivem para frustrar
Serei eu o ser mais forte
Pois na ultima tacada deixar-vos-ei sem norte

Parem enquanto é tempo…
Afastem-se porque chegou o momento!
A minha ira é dura e fria
Não olho a meios…
Nem temo qualquer tipo de feitiçaria…

Sou de paz e não de guerra
Vivo de sonhos…mas com os pés na terra
Amo a minha família e amigos
Protejo-os de angústias e quaisquer perigos

As minhas asas acolhem o sofrimento
De quem mais precisa no momento
Mas não aceito hipocrisia
Nem aproximações de velhacaria

Por mais que me queiram destruir
Com a força de Deus irei resistir
Por mais que me queiram matar
Irei sempre ressuscitar

Por mais que me queiram tirar do caminho
Terei sempre à mão o pergaminho
Por mais que me tentem ignorar…
Guardo provas para publicar...

Nesse dia encarnarei de novo em mim
Serei eu mesma e farei um festim
Recuperarei a alegria que outrora perdi
E de novo serei a Mulher que ao mundo sorri…

Paula Martins
06/02/2012


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Nas trevas...

Ah! Universo onde me perco
Universo onde só a noite impera
Onde os sonhos se desarmam nas trevas
Na dor somática que me desespera

A noite ataca-me de assalto
E a insegurança está sempre à espreita
Envolve-me de medo e angústia
Enquanto um mar de lágrimas comigo se deita

Como uma ave perdida…
Que se afastou do bando
Necessito estar sozinha
E em pensamentos vou voando

Não sei qual o meu fim
Só sei das muitas tentações
Mas vou lutando todos os dias
Gerindo estas minhas aflições

Sou hoje o oposto de mim
O meu sorriso pereceu
Não controlo os meus estados de alma
Nem sei o que me aconteceu

Sou o cartaz da tristeza
O brilho da alegria que se apagou
Sinto-me estrela cadente
Do negrume que em mim se instalou

Ah! Como eu queria ser quem era
E sair gloriosa desta batalha
Ultrapassar os meus medos e anseios
P’ra me despedir desta minha mortalha...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Noite Santa...


É noite…
Há um cheiro de magia no ar
As estrelas estão mais cintilantes
E os sinos não param de tocar

E eu aqui…neste meu quarto…
Na esquina de uma rua qualquer
Tapado com um cobertor de cartão
Na ânsia de um novo amanhecer

Não há ninguém na minha rua
E quem passa parece não me ver
O meu cobertor humedeceu
E meu doente e fraco corpo pede-me comer

Aproxima-se um grupo cantando
Vêm dos lados da Sé
Talvez me tragam uma refeição quente
Devem ser pessoas de Fé

Mas não…
Passaram sem ver
Caminhando numa alegre cantoria…
E não tive o que comer…

Esta noite que já foi minha
Mas hoje não se compadece
E aqueles a quem outrora fiz bem
Nenhum me aparece…

A magia da noite desvaneceu em mim
E alivia-me num plano angelical…
Nesta noite, noite Santa…
E minha ultima Noite de Natal…

sábado, 3 de dezembro de 2011

Chegou ao fim...



Chegou ao fim
Não era p’ra ser assim
Mas tudo acabou
Promessa sentida
D’um sonho de vida
Que o vento levou

Não há mais amor
Culpas ou rancor
É meu o presente
Matei o passado
Levaste o pecado
Já me és indiferente

É tarde demais
Não sinto os teus ais
Nem vou implorar
Já não somos iguais
Eu chorei cristais
Vais ver-me brilhar

Levaste o anel
Deixaste-me o fel
Mas sobrevivi
Queimei as memórias
Saudades inglórias 
Esqueci-me de ti

Ganhei o troféu
Desenhei o meu céu
Vou continuar
Já não estou magoada
Nem de alma fechada
Pronta p’ra amar

É tarde demais
Não sinto os teus ais
Nem vou implorar
Já não somos iguais
Eu chorei cristais
Vais ver-me brilhar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Morte sem rosto...

Hoje o mar veio até mim
E numa vaga de ternura…
Fez-me uma vénia sobre a areia molhada
Lentamente foi-me beijando os pés
E ordenou-me a ficar calada

Gritei em silêncio
Um grito nunca escutado
As águas agitaram-se
Possuindo o meu corpo molhado

Tentei abraçar as águas
Na loucura que me afligia
Mas era em lodo e mágoa 
Que o meu corpo imergia

Procurei luz na minha vida
Mas os meus olhos já não brilhavam
Os meus corais haviam perdido a cor
E só algas vestidas de negro 
Perseguiam a minha dor

Algas sem rosto e sem vida
Com um odor homicida
E punhais de desilusão
Era a morte sem rosto que me visitava
E eu… Mesmo perdida...
Chorava, gritava e lutava...
Partindo as tábuas do meu caixão!


domingo, 9 de outubro de 2011

Cai a noite em mim...


Cai a noite em mim
O luar parece não me querer beijar
A aurora chega tarde e envergonhada
E a vida também já não me quer abraçar

Sonho contigo acordada
Enquanto a noite se agiganta
No sonho a lágrima é derramada
E a dor aperta-me a garganta

Já me vão faltando as palavras
Para descrever o que sinto
As tamanhas dores na alma
Corroem-me o corpo faminto

Esta fogueira que arde
Em chamas no meu sentir
Num amor que dói sem alarde
E que me oferece a morte antes de partir.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Volta p'ra mim...

Volta p’ra mim amor
Antes que seja tarde
Vem abraça-me e beija-me
Que o meu coração por ti ainda arde

Nesta noite, noite escura
Ao calor de um beijo teu
Deixo-me abraçar p’lo desejo
E acendo diamantes no céu

Volta p’ra mim amor
E leva-me num rumo sem norte
Abre-me as portas da esperança
E faz de mim um ser mais forte

Possui-me e faz-me tua
Assim como o sol possui a lua
Eu quero ser possuída
Quero ser a nascente e o poente
O passado e o presente
Para o resto da tua vida.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sou Fado...


Quando a noite cai e a tristeza vem
Sou Fado!
Quando lês felicidade no meu rosto
Sou Fado!
Sou Fado quando te amo
Sou Fado quando te invejo
Sou Fado quando me abraças
E até quando te não vejo

Ando perdida na noite
Com as vestes do ciúme
Cantarolando dor e fel
Deixando rasto do meu lume

Sou Fado quando não estás
Sou Fado quando te choro
Sou Fado sou alma Lusa
Eu sou do Fado e o Fado adoro

Sou Fado quando te canto
Fado na alma é esperança
Ser do Fado é ser Português
O Fado é nosso é nossa herança.

sábado, 13 de agosto de 2011

O teu poema...


Sou ave quando te canto
Sou rio quando navegas nas minhas águas
Sou o Universo quando te queres perder
E sou a paz quando te alivio as mágoas

Sou a estrada que te leva ao destino
Sou o sal com que te temperas
Sou a fragrância que tu inalas
E o amor que há muito esperas

Sou o lume onde te aqueces
A brasa que te incendeia
Sou a frescura onde arrefeces
A saudade que te chicoteia

Sou dor quando não estás
E a melodia que te acompanha
Sou a onda que te abraça
E a brisa da nossa montanha…

Deixa-me ser o teu poema
Ou a inspiração do momento…
O meu sentir será a tua rima
E o meu corpo o teu alimento…

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vem...



Vem e afaga-me a alma
Despenteia-me a saudade
E acaricia-me o desejo

Passeia o teu corpo no meu
E sente como as minhas chamas
Se acenderam num lampejo

Vem e abraça-me os suspiros
Inunda-me de fantasias
Que hoje serei o teu festejo

Embala o meu no teu sentir
Veste-me de palavras ousadas
Que eu brindarei ao nosso ensejo

Vem e naufraga nas minhas águas
Ancora o teu prazer no meu cais
Sacia-te no meu amor!
E não me esquecerás jamais…

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hoje voei contigo...


Hoje voei contigo…
E desbravei o teu corpo em melodia
Em notas altas tonificaste-me de paixão
Dançamos nas estrelas em comunhão
E foi assim até ao nascer do dia

Entreguei-me a todas as fantasias
Das vielas do meu pensamento
Planamos nas correntes do amor
E desfrutamos do prazer a cada momento

Senti o teu dedilhar… o teu toque…
Percorrendo toda a minha pele nua
Gritei, gemi e alucinei…
E no arfar do desejo fui tão e só tua…

Hoje voei contigo…
Voamos para lá do horizonte
No nosso amor tudo foi refeito
E em lençóis bordados de paixão
Assinamos um orgasmo puro e perfeito.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O chamamento...

A morte chamou por mim
Enquanto a noite me maltratava
O meu corpo gelava inerte
E o meu brilho já se apagava

Tropecei no sal das minhas lágrimas
Levantei-me e voltei a cair
Talvez fosse ela a minha esperança
Mas não era seu, o meu sentir

A morte voltou a chamar-me
E insistia sem parar…
Queria que eu a abraçasse
Mas não prometia o meu voltar

Sorriu-me com o seu olhar tenebroso
E maior foi o meu sofrimento
Mas fui levantada pela Vida
Que me segredou não ser o momento

Não sei qual o meu caminho
Nem sequer sei onde estou
Mas por muito que a morte me chame
Direi…Não! Não é contigo que hoje vou!