sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Foi ontem...



Foi ontem,
Foi ontem que fomos felizes
Da vida a dois, aprendizes
No amor a comunhão
As descobertas que fizemos
As palavras que dissemos
Guardo-as hoje no meu coração

Foi ontem que te amei
E o teu corpo apertei
Junto ao meu peito com ternura
Na sede daquele beijo
Tão perdido de desejo
Que só uma paixão procura

Foi ontem, que partiste
E a minha alma ficou triste
Em perpétuo anoitecer
As estrelas não mais brilharam
Todas as aves se calaram
Pela dor de te perder

Hoje, visito-te nos meus sonhos
Beijo os teus olhos risonhos
E peço-te para ficar
Dizes que não chegou a hora
E pedes-me para ir embora
Até a minha missão acabar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mãe sem Natal...


És tu, um ser triste desencantado
De rosto pálido, imaculado
Onde a alegria já não habita
Trazes a noite escura retratada
Na alma de mulher desgastada
A quem o amor não visita

Filhos que tiveste, onde estão?
Apenas e só a recordação
Dos sacrifícios que fizeste por prazer
Horas a fio sem dormir
A mão que estendeste a pedir
O pão para lhes dar de comer

És tu, um ser triste desencantado
Que vives a historia de um fado
Num tom de nota letal
Foste tu, mãe doce e dedicada
Hoje, carente e maltratada
Nesta fria noite de Natal.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Oceano de poesia...



Sou filha de um oceano por inventar
Onde a beleza dos versos são o mar
E as palavras o vento que me conduz
Sou barco que navega à luz da lua
Faço das rimas a minha própria rua
Na onda de um poema que me seduz

Fui eu, que um dia naufraguei
Em versos que escrevi e não gostei
E que hoje os tento recuperar
Fui eu que me tornei intemporal
E escrevo neste imenso areal
Palavras que alimentam este mar

Sou filha de um oceano por inventar
Nascida nas correntes deste mar
Onde as mensagens flutuam dentro de mim
Ofereço poesia no meu cais
Meu barco é de sentimentos originais
Ancorado neste oceano que nasce em mim.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Beija-me!


Beija-me,
Beija-me fugazmente
Beija-me num gemido quente
Num beijo que me alimente a alma
Beija-me por tudo e por nada
Quero ser a mais amada
No fim da tarde calma

Beija-me por dentro e por fora
Beija-me a toda a hora
Que o meu coração agradece
Beija-me num beijo molhado
Aquele beijo de pecado
Onde amor se aquece

Beija-me,
Beija-me mais uma vez
Beija-me na embriaguês
Dos beijos que nunca me deste
Beija-me como se fosse verdade
Deixa-me sentir a saudade
Dos beijos que nunca quiseste.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A escada da minha vida...


Vou subindo lentamente
Cada degrau é um presente
Que receio abrir
Tento firmar-me a cada passo
Consciente do que faço
Sem saber o que está para vir

Trago comigo a saudade
Dos tempos da mocidade
E daquilo que me marcou
São momentos que recordo
Que vêm comigo abordo
Deste degrau onde estou

Vou subindo lentamente
Olhando os degraus de frente
E assim, vou sarando feridas
Pedaços de mim, eu perdi
De dor já muito sofri
Em horas nunca esquecidas

Partilho os ensinamentos
E com eles bons sentimentos
Ao longo desta subida
São fragmentos de mim que ofereço
E que servem de adereço
À escada da minha vida.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Aguas caladas...


Aguas caladas
Impróprias para regar sonhos
Vidas manchadas
Por intempéries de mares medonhos

Luvas calçadas
Por quem as mãos não quer sujar
Vozes silenciadas
Por quem não se permite a escutar

Abram-me a porta!
Deixem-me entrar
Oiçam o meu grito
O meu suplicar

Não quero ter medo
Quero alcançar
Um pouco de paz para me abrigar

Abram-me a porta
Sem fazer alarde
Resgatem-me agora
Que depois será tarde.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Pétalas de água...


Pétalas de água,
Passeiam elegantemente p’lo teu rosto
Viajantes de viva saudade pesarosa
Instalam-se, como se ocupassem um posto

Deixa-me ungir-te em felicidade
Mostrar-te que o sol ainda pode brilhar
Mesmo que persista a saudade
Poderás um dia, paz encontrar

Quantos ventos por ti passaram
Quantas angústias te maltrataram
Nem tu as sabes contar
Pétalas de água te visitaram
P’lo teu rosto passearam
Em manifesta cegueira de amar

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Quero cavalgar a noite inteira...

Quero cavalgar a noite inteira
Por entre os vales do nosso amor
Ser na paixão, mulher primeira
Fundir-me no trote do teu calor

Quero sentir do amor o cheiro
Ao galopar em forte abraço
Fazer de ti o meu braseiro
E saciar-me sem fracasso

Rios de rosas se abrirão
Ao ver passar o nosso amor
Num cavalgar quente de paixão
Voamos nas asas de um condor

Quero cavalgar a noite inteira
Levar-te comigo ao firmamento
Beijar em paixão verdadeira
O teu corpo viril e sedento.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Despes-me...


Despes-me das vestes que não trago
Em minh’alma a noite já vai longa
Sou o doce onde buscas o afago
Nos beijos que o amor não prolonga

Carícias que buscam o suco mel
Lábios de assédio cor romã
Em meu corpo o convite sente o fel
Do amargo que é visita da manhã

Levas o melhor que há em mim
Despes-me da realidade da vida
Tatuas os lençóis de cetim
Com o sangue da raiva escondida

Despes-me das vestes que não trago
Na noite que teima em ser triste
No meu coração semeias o estrago
Do louco que em ti existe.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Maria...





Maria, tão pura e tão cândida
Tão mãe e tão sofrida
Maria, berço do fruto
Que deu vida à vida

Maria, como eu que te imploro
Em meu desespero
Junto de ti eu choro
E como eu te venero

Maria, mulher
Maria, Santa
Maria, amor
Riqueza tanta.
Tão pura e tão cândida
Tão mãe e tão sofrida
Maria, tu és dor
Maria, tu és vida.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sou tua...



Haja o que houver
Caminharei sempre contigo
Digas o que disseres
Estarei sempre a teu lado
Faças o que fizeres
Serei sempre tua!
És tu, o meu grande amor
O meu porto de abrigo
És o meu presente
És o meu passado
No amor és quente
Somos pecado!
És o sol que me aquece
E eu a lua que te resplandece
Haja o que houver…
Caminharei sempre contigo!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Esta cor que Deus me deu...



Esta cor que Deus me deu
Que trás sangue igual ao teu
E sentimentos como os demais
Alvo de tanta descriminação
De tantos séculos de perseguição
Dos espertos anormais

Porque odeias a minha raça?
Porque me vês como desgraça?
Se eu na tua casa entrar
Como tu eu sinto dor
Fui criado com muito amor
Por quem caprichaste no mal tratar

Tenho tanta pena de ti
Mas a educação que recebi
Não me trás cólera ao coração
Como tu, sou filho de Deus
E se um dia subir aos Céus
Intercederei pela tua absolvição.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Oh Mar...


Oh mar,
Que te passeias com tantas marés
Trazes contigo temperos salgados
Nas algas que te calçam os pés

És tela, és miragem
És o sonho daquela viagem…
És sepulcro, és fantasia
Fruto da mitologia!

Oh mar,
Que trazes aromas nas tuas correntes
Que te revoltas em várias frentes
Da beleza à agonia
Embala-me na tua cama
Faz de mim a tua dama
E perfuma-me de maresia.

Prostituição...


Á noite, quando todos regressam a casa
Saio eu, para a vida que me espera
Levo na mala os sonhos perdidos
E em meu peito a dor dilacera
Sirvo-me da vida que tenho
Tal como se servem de mim
Sacio a fome dos homens
No privado de um qualquer botequim
Sou aquilo em que me tornei
Desajustada da realidade da vida
Valores que tinha, também vendi
Em cada rua ou avenida
Á noite, quando todos regressam a casa
Saio eu, para a minha perdição
Vendo sonhos na banca do meu corpo
Na miséria da minha prostituição.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Rua da Poesia...


Moro na rua da poesia
Na rua das palavras mais belas
Na escrita, minha doce melodia
Onde os versos ornamentam as janelas

Irradia de luz a minha rua
Quando à noite me sento junto a ela
Acompanhada pelas rimas e pela lua
Traço palavras, como quem pinta sobre a tela

Deixo o meu traço bem marcado
Para quem a minha rua visitar
Cada janela terá o meu fado
Para que me possam sempre cantar

Moro na rua da poesia
Na rua onde se pode renascer
Na escrita, minha doce melodia
Desta herança que nunca há-de morrer.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Quando as luzes se apagarem...


Quando as luzes se apagarem
As palmas se calarem
E todos tiverem saído
Voltarei a ser quem era
Serei eu a que impera
Como antes tivera sido

Sou a do papel principal
A que já esteve no pedestal
A que hoje ninguém conhece!
Veste as roupas do figurino
Entra em alta no casino
A que bebe e entontece

Sou a outra, a que não queres
A que usaste como a tantas mulheres
Que eram rostos de cartaz
Vivo hoje da lembrança
Do meu sonho de criança
Por me tornares incapaz

Quando as luzes se apagarem
As palmas se calarem
E eu tiver que sair
Sairei de cabeça erguida
Darei rumo à minha vida
E voltarei a sorrir.

Confesso...


Confesso ter-me perdido um dia
Por alguém que desconhecia
Ser o homem da minha vida
Amei e não fui amada
Dei e não recebi nada
Vivi de vida perdida

Acreditei ser tua
Enquanto minha alma nua
O teu ser deliciava
Foram momentos vividos
Que nunca serão esquecidos
Pelo amor com que me dava

Confesso ter-me perdido um dia
Por alguém que eu queria
Ter a meu lado, me aceitar
Amei e não fui amada
Chorei e não fui chorada
Só me resta confessar

Confesso-me hoje, diante de ti
Que foi difícil mas consegui
Soltar o grito, ultrapassar
A escuridão que vivi um dia
Magoava e eu sabia
Que me haveria de matar.

Tempestade do amor...

Numa noite de tempestade
Eu vi o teu corpo dançar
Aproximou-se do meu corpo molhado
E pediu que o deixasse abrigar
.
Abri-te as portas do meu templo
Para que pudesses entrar
E foi ao sabor do vento
Que puseste o meu corpo a rolar
.
Numa noite de tempestade
Dançamos em sintonia
Aquela dança do amor
Do meu sonho de fantasia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Quero voltar a ser tua...




Quero voltar a ser tua
Amar-te sob os olhares da lua
Em todo o meu esplendor
Quero prender-te na minha cama
Voltar a ser a tua dama
E tu o meu beija-flor

Deixa-me voltar a amar-te
Devorar o teu corpo com arte
Como só eu o sei fazer
Deixa-te ficar a meu lado
Com esse teu corpo molhado
Pela êxtase do prazer

Quero voltar a ser tua
Passear contigo na rua
De mãos dadas a sorrir
Quero mostrar a toda a gente
O quanto serei diferente
Se não tiver que fingir

Quero voltar a ser tua
Passear contigo na rua
Depois de uma noite louca
Quero sentir a alegria
Ou simplesmente a magia
Do mel da tua boca

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Porquê...


Porque hei-de chorar?
Se não tenho quem me seque as lágrimas
Porque me fizeste dormir?
Se já não sei sonhar
Porque estarei acompanhada?
Se estou sempre sozinha
Porque me mataste?
Se eu não já não vivia…

Vagas de amor...


Lancei-me nas ondas do vento
Num mar de vagas de amor
Bebi águas em desalento
Das mágoas trazidas pela dor

No mar espalhei sentimentos
Que guardava na palma da mão
Lancei-me nas ondas do vento
Para te falar ao coração

O amor espalhado nas correntes
Percorreu oceanos sem fim
As mágoas partiram conscientes
Que o vento não te traria até mim

Lancei-me nas ondas do vento
Em busca da tua verdade
O amor perdeu o alimento
E o coração parou de saudade.

Livre de sonhar...


Livre é o pensamento
Neste oceano de palavras
Onde registo o momento
Do amor com que me lavras

Nos lençóis onde me amas
Á luz da lua escondida
Sinto o teu corpo em chamas
E de louca fico perdida

Livre é o pensamento
Neste oceano de prazer
Onde as palavras do momento
Sustentam o muito querer

Fica comigo no meu sonho
Não me deixes acordar jamais
Se até o sol acordou risonho
Foi porque os beijos foram reais.

Estás perdoada Mãe...

Não sei porque vim sozinha…
Ainda ontem te abraçava
Ficaste zangada comigo
Só porque de fome chorava

Fui levada pelos senhores
Quis que me viesses buscar
Quando caí não me levantaste
Nem vieste para me acompanhar

Depois de lá ter chegado
Todas as luzes se apagaram
Já não vi mais senhores
Todas as vozes se calaram

Caminhei em direcção da Luz
Num caminho que não conhecia
Outras meninas eu encontrei
Falar-te-ei delas um dia…

Estás perdoada Mãe!
Esquecerei o que aconteceu
Zangaste-te porque chorei com fome
Mas rezo por ti no Céu.

Amantes...

Exaltas-me os sentidos
Na sede de te beijar
E de ouvir os gemidos
Quando me estiveres a amar

Sinto um doce perfume
Da tua pele, a frescura
A tua boca traz-me lume
Ao meu corpo de aventura

O teu peito junto ao meu
Arrepia-me a pele nua
Levas-me para lá do céu
Não pares, continua!

Nossos corpos já suados
Vibram em ondas alucinantes
Queimando os nossos pecados
Da loucura de ser-mos amantes.

No palco da poesia...


No palco da poesia
Escrevo o que me vai na alma
Por vezes é fantasia…
Nem por isso fico mais calma

Ás vezes dói-me, o que escrevo
Faz-me rir, faz-me sonhar
Sofro mas não me atrevo
Deixar a poesia acabar

A poesia existe em mim
Mas poeta, não sou!
Nem permito que tenha fim
Só porque alguém a calou

Transpirarei poesia
Sempre que ela por mim chamar
Mesmo partindo um dia
Ninguém a há-de calar.

Mãos...


Mãos escuras, pelo sol queimadas
Que se estendem na rua do desalento
Mãos de vidas tão esquecidas
De vivências levadas pelo vento

Olhares frios que passam
Correm com hora marcada
Na rua do desalento
Onde ninguém dá por nada…

Mãos que se estendem em dor
Num sussurro de palavras contadas
Lamentos perdidos num mundo
P’las vidas com alegrias ceifadas

Mãos envergonhadas, mãos desajeitadas
Mãos de Homens que nada têm
Mãos que mendigam o pão da Paz
Aos olhares que não as vêem.

Estou diferente...





É noite e tenho medo
Só estou eu e as estrelas
Este terror faz-me frio
E não confio nelas…
.


Peço socorro a não sei quem…
Desespero por ser salva um dia
Ser levada daqui para fora
Ou fugir desta agonia!
.


Tenho raízes perdidas
Para lá do horizonte
A felicidade já não me habita
Já não sou a mesma fonte
.


Tenho medo das estrelas
Que me olham sem piedade
Neste sítio que desconheço
Onde mora a crueldade
.


É noite e tenho medo
Quero voltar à minha gente
Valores que tinha, já esqueci…
De sofrer fiquei diferente!

Mentira...


Levaste contigo a loucura
Dos beijos que eu pensava serem meus
Promessas que fizeste á luz da lua…
Conquistando corações como troféus.
.
Que é dos sentimentos que levaste?
Que fizeste á minha palavra tão sincera?
Queimaste a segurança que havia em mim
Como quem derrete uma vela de cera…
.
Quero voltar a ser quem era!
Apagar a mentira que foste em mim!
Sentir-me flor na primavera
Para que a esperança renasça em meu jardim.
.
Corre agora pelo mundo fora,
Devolve os sonhos que roubaste
A lua conhece a tua história…
Até dela tu te aproveitaste.

Bolero...



Mergulhei no lago do desespero
À guarda de plátanos que me prendiam
Com a esperança assassinada por um bolero
Das mulheres que ali também jaziam
.
Flutuei naquelas águas paradas
Tentando socorrer-me do que me prendia
Forças que tive outrora estavam manchadas
Pela fraqueza que agora me vencia
.
Deixei-me envolver em desgraça
Nas braçadas da leviandade presente
Do Amor não rezou a tua raça
E o meu bolero também estava eminente
.
Mergulhei no teu lago enganoso
Aguardando melhor destino para mim
O preço que paguei foi penoso
Por um romance que sem principio teve um fim.

O fogo da paixão...


Deslizei por entre as tuas mãos
Aquelas que me conhecem a preceito
O teu olhar embriagado de paixão
Incendiava o fogo que me ia no peito
.
Deixei-me devorar pelo fogo
Em ondas quentes de prazer
Em chamas entrámos no jogo
Deixando o amor acontecer
.
Despi-me de todo o preconceito
Prendi-me ao fogo da paixão
Num enlace profundo e perfeito
Com temperos vindos do coração
.
Viajei pelo teu universo
Planei numa galáxia distante
Ardendo num fogo perverso
Em chamas de amor abundante.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Filha do fado...


Na Primavera do meu viver
Concebi a mais bela das flores
Chegando pela manhã
Como um arco-íris de lindas cores
.
Aconcheguei junto ao peito
Aquela oferta que Deus me dava
Flor frágil e indefesa
A minha seiva procurava
.
Margarida de seu nome
Entre todos o escolhido
Era a mais linda das flores
O meu jardim tinha florido…
.
Criança alegre e muito viva
Ao meu lar dava cor
Aquele menina que crescia
Rodeada de carinho e amor
.
Perspicaz e muito vaidosa
Com muito brilho no olhar
Brincava ás escolinhas
Mostrava gosto por cantar
.
O tempo foi passando
E a adolescência já espreitava
Aquela flor que era tão minha
Entre as outras se destacava
.
Deixa frescura por onde passa
Com seu ar de cantadeira
A minha flor enamorou-se do fado
E canta-o à sua maneira
.
Hoje, no Verão da minha vida
Sinto em mim grande alegria
Por ter trazido ao mundo
Uma voz que o fado guia
.
A Margarida não é só minha
É filha do fado também
Desta herança tão Portuguesa
Que orgulha qualquer mãe.

Medo...


És como um barco que navega
Rompendo as ondas do medo
Vives como um estratega
Querendo vencer um segredo
.
Guardas em ti o tesouro
Da vida que te espera
No acaso talvez ouro…
Ou simplesmente uma quimera
.
Continuas a viagem
Sem saber qual o caminho
Em direcção da miragem
Que te dite o pergaminho
.
Á luz do luar iluminado
Contas as estrelas mais cintilantes
Que te falam do passado
De outros tantos navegantes
.
Segues agora um sonho
Que há muito havias perdido
O teu mar já não é medonho
Como antes te tinha parecido
.
Rompeste agora as ondas
Como nunca o fizeste antes
Venceste os traumas e medos
Neste universo de navegantes.

Estrela cintilante...




Vi a noite escura em teus olhos
Enquanto te contemplava no sofrimento
Oferecias paz nas palavras
Sabendo que estava perto o momento
.
Tentei convencer-te do contrário
Parecias acreditar no impossível
Mas tinhas a consciência do inevitável
Numa tranquilidade credível
.
Querias dizer-me tanta coisa
Mas o tempo já se ia esgotando
Mesmo assim continuavas
Como se lesses um memorando
.
Comoveste-te ao ler o poema que te dei
Aquela oração que imaginei ser tua
Nunca irei esquecer o quanto me agradeceste
E das lágrimas que me saltaram ao chegar á rua
.
Falavas da filha querida com tal encanto
Que a qualquer mãe cortava o coração
Ao sentir que o fim estava perto
E que não haviam mais passeios mão na mão
.
Guardo o poema que me enviaste
Com carinho e muito respeito
Os teus comentários ficarão para sempre
Neste cofre que trago no meu peito
.
És agora mais uma estrela cintilante
A brilhar no imenso firmamento
Dando luz ás nossas vidas
Até que termine o nosso tempo
Descansas agora em paz
Junto D'aquele que te chamou
Orando pela harmonia e saúde
Daqueles, que o teu coração levou
Sentida Homenagem á nossa Querida Amiga e Colega de trabalho, Luzia Lagartinho.

As conserveiras...


Lá vão elas tão barulhentas
Com um saquinho na mão
Correm pelas ruas fora
Numa alegre confusão
.
Apressadas tentam saber
Qual o barco que chegou
O peixe já as espera
E a sirene já tocou
.
Ali não há idades
Só rostos marcados pela vida
Vão dos oito aos oitenta
Até á hora da despedida
.
Deixam os filhos em casa
Á sorte do dia que passa
Ao cuidado dos mais velhos
Que evitam suposta desgraça
.
Estas mulheres são heroínas
Trabalham horas a fio
Sem quaisquer regalias
Aceitam o desafio
.
Gritam os miúdos na rua:
-Cheira a peixe que tresanda
Ao que respondem irritadas
Mandando-os para outra banda
.
Começam o dia com furor
Tratando o peixe que as espera
Com alegria e muito amor
Defendem a Industria da sua terra
.
Mas o esforço não foi bastante
E a industria alguém lhes tirou
O peixe já não as espera
Como um dia as esperou
.
Já não correm pelas ruas fora
Vivem hoje de grande saudade
Estas mulheres que foram um dia
Alicerces da minha Cidade.

Ser mulher...


Ser Mulher
É ter um colo que alberga o desespero
Ter na palavra a maciez do amor
Ser mulher é ser mãe até dos filhos que nunca teve
Ser mulher é saber dar-se em todo o seu esplendor
.
Ser Mulher
É ser vida, na vida que nasce
Ter o dom de ouvir sem culpabilizar
Ser mulher é defender a harmonia
Ser mulher é ser luz na noite sem luar
.
Ser Mulher
É ser fonte de água cristalina
Ter a frescura que sacia o coração
Ser mulher é ter aromas de calmaria
Ser mulher é ser portadora de perdão
.
Ser Mulher
É a vida que nasce para dar vida
Ter alegria para dar, mesmo estando triste
Ser mulher é lutar contra as injustiças
Ser mulher é a que luta e sofre mas não desiste!

A doce Lucinda...


Ainda o sol não rasgava
Já a doce Lucinda lutava
Naquela pedra gelada
Suas mãos desgastava
.
Era a roupa que esfregava
Juntamente com a dor
Pelos filhos trabalhava
Com afinco e muito amor
.
A sirene que se ouvia
Ao romper da alvorada
Chamava pela Lucinda
Que corria já cansada
.
A cavala já lá estava
E a Sardinha também
Nesta guerra a Lucinda
Era o pai e era a mãe
.
Já lá ia meia tarde
Das horas que não contava
Em casa as crianças esperavam
O pão que não chegava
.
Mas a Lucinda sabia
Que não era ali que o dia acabava
Pois mal da fabrica saía
Já alguém a chamava
.
Sem força chegava a casa
Depois de um dia com tantos trilhos
No saco pouco pão levava
Mas inventava alegria para dar aos filhos.

Orando viverei...


Hoje Senhor
Permite-me que me ajoelhe junto de ti
Preciso sentir o teu braço forte
Nesta minha caminhada
Que me vai deixando sem norte
.
Quero ser forte como a rocha
Serei delicada como a flor
Sinto-me frágil na saúde
Cuida de mim, Senhor
.
Sabes Senhor?
Ainda encontro alguma alegria em mim
É meu desejo voltar a ser como eu era
Ser guia da força que me faz viver
Ver passar cada Primavera
E assim esquecer este meu sofrer.
.
O meu coração é luz
Na vida que gerei
Por ela Senhor quero viver
Orando sei que viverei
Hoje SenhorRezo diante de ti
Porque creio na Tua Bondade
Em oração Te peço saúde
Mas faça-se em mim a Tua vontade.

A carta...


Partiste para a terra desconhecida
Terra de dor e desgraça
Levaste na mala a saudade
Deixando-me fruto da tua raça
.
Vivi a ausência mais cruel
Na insegurança do dia que passava
Sorrisos esboçados a pincel
Numa tela que o meu coração apagava
.
Quis dar cor à vida do nosso fruto
Com as cores da paleta cá deixada
No meu peito essas cores se perdiam
Á medida que a carta não chegava
.
Quis contar a nossa história de amor
Mas ao lê-la toda a história era apagada
Pelas lágrimas amargas que me corriam
Pela dor da notícia que não chegava
.
Naquele dia o tão esperado dia
Lá estava eu à espera para te ver
Levando comigo a saudade
E o fruto que não viste nascer
.
Mas a noticia chegou
Mais cedo que a carta encontrada
Na carta entre promessas de amor
Manchas da morte esperada.

Vento de paixão...


Dancei com o vento
Enquanto o sol já se escondia
Naquela praia deserta
No meu corpo a maresia
.
Ondas envergonhadas
Quiseram entrar na dança
Beijando-me fugazmente
Fazendo uma aliança
.
Abandonei-me ao vento
Enquanto a lua já me espreitava
Naquela praia deserta
Onde o meu corpo vagueava
.
Fui dançando em desespero
Com o vento da paixão
Que me mergulhou nas ondas
E me parou o coração.

Fica comigo...


Fica comigo esta noite
Esta noite que não tarda em acabar
Desmoronada por sonhos impossíveis
E pela dor de não te ver voltar
.
Fica comigo só mais um momento
O momento em que as luzes se vão apagar
Encosta a tua cabeça no meu peito
Para que sinta o teu respirar
.
Fica comigo agora
Que a lua deixou de sorrir
O teu respirar marcou a hora
Deixando uma lágrima ao partir.

Nao sei o que escrever...


Não sei o que escrever,
Mas sinto...
Este turbilhão dentro mim…
São emoções e eu consinto
Ter que viver assim
.
Sinto agora a maré-alta
No meu peito a transbordar,
Rejubilando de sentimentos
Que não sei expressar
.
Não sei o que escrever,
Mas sinto…Os meus sentidos querendo ditar
As palavras em labirinto
Para o meu coração arrumar.

Visitei a Arrábida...


Visitei a Arrábida tão bela…
Debrucei-me na sua janela
E os meus olhos encheram-se de mar.
Vi um manto azulado,
Que corria de lado para lado, com golfinhos a nadar.
.
De verde estava vestida,
Mas sem esperança também…
Pelas dores que sentia,
Ao assistir em agonia
Como quem vê morrer a mãe.
.
O inferno que lá habita
Sacrifica-a sem alma nem coração,
Com sede de riqueza…
Torturam o nosso grande pulmão…
.
Fui concebida em Tróia
Mas foi Setúbal que me viu nascer
Arrábida a Paixão
E Rio azul até morrer….

Naquela noite...


Naquela noite, noite fria
Em que o teu corpo jazia
Em terras áridas desconhecidas
Procurei-te na nossa cama
Nos restos de amor a chama
Que alimentou as nossas vidas
.
Naquela noite, noite triste
Em que sem avisares partiste
Para outra dimensão,
Procurei-te no meu peito
Nos meus restos de imperfeito
E ardi em minha própria paixão.

Quem sois vós...


Quem sois Vós que a quem suplico perdão
Quem sois Vós que chora as minhas dores
Quem sois Vós que sofre a injustiça
Coroado de espinhos em vez de flores
.
Quem sois Vós que nunca Lhe vi o rosto
Quem sois Vós que dá sem nada receber
Quem sois Vós que encontro no sofrimento
E que das chagas sangrentas a esperança de viver…
.
Quem sois Vós que só oiço em pensamento
Quem sois Vós que me alimenta a alma
Quem sois Vós que eu quero junto de mim
E que quando Lhe invoco sinto-me segura e calma
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Quem sois Vós que entrais em minha casa…
Quem sois Vós que habita em mim
Quem sois Vós que espero encontrar
No meu imaginário as flores do Teu jardim.
Quem sois Vós?...

Perdi-me...


Perdi-me nas entrelinhas do amor
No teu corpo as marcas do meu ser
Dancei com a tua virilidade
Numa noite em que tardava amanhecer
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Subi a mais alta das montanhas
Na escalada das palavras mais sentidas
Refugiei-me na encosta dos teus beijos
Sob a primavera das nossas vidas
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Agora que me lavraste em amor
Em meu ventre vive o sentimento
Aquele que a seiva se dará em flor
E que marcará o nosso melhor momento
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Perdi-me nas entrelinhas do amor…

Vendi-me...



Vendi-me a um homem qualquer
Sem noção do que queria para mim
Em meu corpo pouco trato de mulher
Sem aromas de rosas ou jasmim
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Vendi-me na madrugada mais sangrenta
A um outro que queria desconhecer
Em meu corpo malhas cor magenta
Das mãos de quem me fez mulher
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Vendi-me aos caprichos mais violentos
Numa manhã em que o sol já não nascia
Em meu corpo a devastação de fortes ventos
Nos cálices o licor da agonia.

Dividi os meus beijos com a lua...



Dividi os meus beijos com a lua
Numa noite em que o luar lá não morava
Sobre as pedras da calçada fria e nua
Era o meu corpo que na rua se encontrava
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Procurei-te em cada passo escutado
Em cada estrela que teimava em se esconder
Num beco nunca antes encontrado
Perdido num qualquer amanhecer
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Dividi os meus beijos com a lua
Sobre as pedras já marcadas pelo tempo
No meu corpo dos teus lábios falta tua
Numa dança sacudida pelo vento.

Morri...


Morri no dia em que partiste e não mais te voltei a ver
Morri num sonho triste que não podia acontecer
Vi um sol de Inverno envergonhado, que teimou em não aparecer
Morri perante a desilusão de estar viva e não te ter
Hoje sou ninguém, porque me julguei morta e não te vi morrer.

Sou eu...


Sou eu…
Sou eu quem chamas nas noites frias
Onde o teu corpo aquece no meu regaço
Sou eu que dou o prazer com que te delicias
Sou eu a senhora daquele Abraço
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Sou eu a pecadora que te exalta
Aquela que te prende no seu leito
Sou eu a dama da ribalta
Sou eu a que tu trazes no peito
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Sou eu a que chora a tua ausência
A quem o coração arde quando não estás
Sou eu no amor a irreverência
Sou eu a que bebe da tua paz.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Sabores de amor...


Vesti o teu corpo pela manhã,
Na hora em que o meu mal se vestia
No amor o teu cheiro a hortelã
Com beijos de sabor a melancia.
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Prendi-me ás amarras do teu cais,
Em ondas de prazer e calmaria,
Os sabores que sentia eram reais
Enquanto o teu corpo no meu se fundia.