Cai a noite…
O vento chega em desalento
E aproxima-se de tantos…
Tantos…que nem se sabe de quantos…
Instala-se o medo em pranto
Rios de lágrimas, formam o manto…
Que se estende no desconhecido
Rios de perguntas pairam no ar
Muitas respostas ficam por dar
E nasce um terror muito contido
A vida é pensada a cada momento
Cada dia… cada tormento…
E o vento vai soprando sem norte
A guerra está instalada
Cada guerreiro prepara a cilada
Tornando-se um ser cada vez mais forte
Não! Eu contigo não caminho!
Nem lutarei sozinho…
Mas estarei na linha da frente
Serás derrotada…oh! Noite escura
Noite sem pudor ou bravura
P´la força de tanta, tanta gente…
Oh! Vitoriosos desta noite
Heróis das forças deste vento
Que sobrevivestes a cada açoite
Mensageiros da coragem e alento.
“… Começa um fluir de pensamentos que me exalta o sentimento, é aí que escrevo e dando vida ao que sinto abro as asas às minhas fantasias, são esses pensamentos que me levam a juntar palavras onde tudo faz sentido e já não posso parar... parece que sinto algo dentro de mim que me vai conduzindo na escrita…”
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Vento do desalento...
sexta-feira, 19 de março de 2010
O sonho...

Amei-te hoje pela última vez
Entreguei-me ao amor que não se fez
Partilhei contigo as mais sábias palavras
Na entrega, deite o corpo que há muito não lavras
Deitei-me na cama que não conheci
Nos braços da lua, adormeci
E foi no sonho que tu me quiseste
De libido em chamas assim te deste
Nas asas do sonho, entrei no jogo
E num passo de dança apaguei o fogo
Senti-me borboleta a voar pelo quarto
E pela primeira vez, não te senti de mim farto!
Ah! Fui-me sentindo, tão cheia de mim
Exalava no quarto cheiro a jasmim
Quando acordei, sozinha eu estava
E beijei a vida que por mim chamava!
domingo, 1 de novembro de 2009
Informação...
A todos os amigos e seguidores deste blog, peço desculpa pela minha ausência de postagens e comentários...isto porque estou a viver um momento maravilhoso na minha vida...
A grande responsável por esta ausência chama-se Maria Alice, a minha Neta que nasceu na quarta-feira dia 28 de Outubro, uma menina linda que me está a encantar como se eu estivesse a viver um conto de fadas.
Beijos para todos
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Almas apaixonadas...
Sinto o esmiuçar do desejoNeste ensejo que chega com a aurora
Na entrega a um caloroso beijo
Os nossos corpos enlaçam-se sem demora
Há uma chama que não se deixa apagar
E ilumina as sombras projectadas
Nas paredes que testemunham o arfar
Destas almas loucamente apaixonadas
Faz do meu corpo a tua estrada
Que eu em desvario irei contigo
Num prazer recíproco serei a fada
Que se perde nos braços do porto de abrigo.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Abandono...

Que hoje já não me tiras o sono
Como outrora já o fizeste
O amor já não exala no nosso quarto
De beijos e carícias ficaste farto
E as promessas de amor, já as esqueceste
Quero acordar pela manhã
Sorrir numa alegria sã
Sem me sentir estigmatizada
Serei eu uma mulher por inteiro
Nas margens deste ribeiro
Em que um dia a água foi maltratada
Ah! Agora vou ser mais eu!
Desligar-me-ei de tudo o que é teu
Para que nada me reste do passado
Leva contigo a violência
Junto com a tua demência
Porque eu não vou cantar mais esse fado
E se um dia vires passar na rua
Aquela que já foi tua
Com os filhos que não quiseste
Lembra-te sempre meu querido
O quanto te foi pedido
Aquando o amor que tu não me deste.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A "Bolacha Piedade"

Mesmo antes de Setúbal ser elevada a Cidade
Nascera no seio de uma família
A apetitosa “Bolacha Piedade”
Era em alguidares de barro
Habilidosamente amassada
Pela força de braços estendida
Entre uma e outra fornada
Vendia de rua em rua
O miúdo do tabuleiro
Ainda não era avistado
Mas já lhe sentiam o cheiro
Estaladiça e tão perfumada
Lá se dava a conhecer
Mais tarde foi divulgada
Por uma grande, grande Mulher
Maria Piedade
Uma mulher sem vaidade
Mas com razões para o ser
Fez desta Bolacha a sua bandeira
Dedicou-lhe a vida inteira
E deu-lhe as asas para crescer
Lindo o desfile de cestos
A caminho da Avenida
Corre para a feira de Santiago
A sua menina querida
P´la Cidade foi distinguida
E p’lo D. Duarte elogiada
Viaja além fronteiras
Esta delicia tão cobiçada
E hoje a tradição é mantida
Em todos os eventos da Cidade
È o segredo de uma vida
A nossa “Bolacha Piedade”.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Às vezes...
Às vezes…
Sinto-me só no meio da multidão
Sou carne sedenta de amor e paixão
Sou raiva
Sou paz
Sou alegria
Sou vida
Sou dádiva
Sou fantasia
Às vezes…
Sou o animo que não encontro em mim
Sou a fortaleza e o festim
Da vida de quem desespera
Sou luz ou talvez a miragem
Sou o encontro com a coragem
E o ser quem alguém sempre espera
Às vezes…
Apetece-me desistir
Perco a vontade de sorrir
E sinto medo de falhar
Mas enfrento a minha própria cobardia
Desprendo-me das amarras da fobia
E continuo a caminhar
Às vezes…
Choro o que não quero
Oiço o que não espero
Fracasso mas persisto
Paro para pensar
Volto a sonhar
Resisto, insisto e não desisto.
sábado, 29 de agosto de 2009
Terra de mim...

Oh terra de mim
Que te embalas em braços de mar
Oh gente nascida das tuas entranhas
Que teima p’ra sempre em te amar
Oh Serra de verde manto
Perfume de toda a Cidade
Lêem-se lamúrias de dor
Nesse desventre sem dó nem piedade
Ai quanta inspiração de poetas
Neste berço de Luísa Todi que te cantou
És o grande orgulho de quem te ama
E palco dos estragos de quem nunca te amou.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Meu Sado...
És um espelho prateado
Quando a lua te irradia
O teu perfume doce e alado
Dança no vento em alegria
Abraças quem te visita
E mostras a tua riqueza
E só quem te vê acredita
Que beijas a natureza
Meu Sado, meu Sado
Manto azulado
Pedaços de Mar
Hino á alegria
Seja noite ou seja dia
Eu irei sempre te amar
Meu Sado, meu Sado
Pelo sol coroado
Meu rio da sorte
Em tudo és diferente
Até a tua corrente
Vai do Sul para Norte
Ofereces a brisa á cidade
Mal acorda um novo dia
E frutos da melhor qualidade
Com sabores a maresia
Na bela praia de Tróia
Tens o altar da Protectora
Meu Sado tu és a jóia
Do Rosário da Nossa Senhora.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Este é o cartaz do Musical "Por dez Réis". Esta peça esteve em cena em Setúbal e foi um sucesso.
Foi um grande desafio que o meu Amigo Portugal da Silveira (autor da peça) me fez, para que eu escrevesse grande parte das letras.
Este Musical foi inspirado na história de uma Operária da indústria Conserveira (Mariana Torres), que foi assassinada em 1911 em Setúbal, por ter movido homens e mulheres da sua classe contra as forças da opressão, em prol de um aumento de Dez Réis de salário. Esta mulher durante muitos anos foi esquecida e apagada da história.
Há alguns meses atrás, publiquei um poema de Homenagem á Mariana Torres e hoje anexo o cartaz da peça.
Agora que já conhecem a história, deixo-vos novamente com o poema para uma melhor compreensão.
Mariana…
Mariana…A operária conserveira
Que da fome foi companheira
Mas lutou por um ideal
Ergueu a voz com convicção
Contra as forças da opressão
E a injustiça social
Mariana… Do passado e do presente
Do povo Setubalense
Ávido da sua história
Mulher achada, Mulher perdida
Assassinada em plena Avenida
Sem reconhecimento nem memória
Mariana…Amiga, camarada
Lutadora, maltratada
Por ilustres nomes da Cidade
Não tiveste nome de rua
A vala comum foi toda tua
Para que fosse esquecida a tua identidade
Mariana…Foste agora Homenageada
A tua história será divulgada
Com todo o respeito merecido
Corajosa, aventureira
És o rosto da mulher conserveira
E de um passado que jamais será esquecido.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
A quimera...
Em notas altas trazidas pelo vento
Que só o sangue sabe escutar
Sinto o teu grito nas entranhas
Com dores de mentiras tamanhas
De um falso enigma por decifrar
O teu sorriso há muito esquecido
Esboça um ar esmorecido
De quem já não sabe sonhar
És o caminho das lágrimas já cansadas
Que morrem ao longo dessas estradas
Que a tua mente quer olvidar
Voa em busca da verdade
Sente no vento a liberdade
E vive a primavera que te espera
Abre a porta da esperança
Quebra o pesadelo da má lembrança
E a tua vida será uma quimera.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Musical "Por dez réis"
Este é o cartaz do musical, para o qual escrevi uma boa parte das letras. Foi um trabalho enriquecedor e muito gratificante.
Esta peça, faz o relato de um acontecimento verídico, que se deu em Setúbal em 1911, onde se apresenta a história de "Mariana Torres", uma operária da industria conserveira, que moveu homens e mulheres da sua classe, contra as forças da opressão, pedindo um aumento de 10 Réis no salário.
Com base nesta história, fiz há uns meses atrás um poema que se encontra no blog e que volto a publica-lo para uma melhor compreensão.
Mariana...
Mariana…A operária conserveira
Que da fome foi companheira
Mas lutou por um ideal
Ergueu a voz com convicção
Contra as forças da opressão
E a injustiça social
Mariana… Do passado e do presente
Do povo Setubalense
Ávido da sua história
Mulher achada, Mulher perdida
Assassinada em plena Avenida
Sem reconhecimento nem memória
Mariana…Amiga, camarada
Lutadora, maltratada
Por ilustres nomes da Cidade
Não tiveste nome de rua
A vala comum foi toda tua
Para que fosse esquecida a tua identidade
Mariana…Foste agora Homenageada
A tua história será divulgada
Com todo o respeito merecido
Corajosa, aventureira
És o rosto da mulher conserveira
E de um passado que jamais será esquecido.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Amanheceu...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Amor perfumado...
Faz-me acordar pela manhã
Quando o sol tiver nascido em ti
Saboreia no meu peito a hortelã
E refresca o teu corpo no amor que repeti
Prova em devaneio o saboroso mel
Nas palavras perdidas no teu leito
No chão ainda vibra cada decibel
De um prazer louco de tão perfeito
Bebo cada suspiro teu
Na hora em que o sol põe em mim
Sacias cada desejo meu
E perfumas-me de amor e jasmim.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Mensagem de Natal

Abraçam-me as saudades libertam-se as histórias
Ilumino cada passagem da infância já perdida
Brindo a cada momento das consoadas da minha vida
Que o Natal presente seja repleto de saúde e alegria
De arvores iluminadas com beijos que ofusquem a hipocrisia
Que cada casa seja um presépio de paz, vida e esperança
E que as famílias se unam com os que já partiram na lembrança
Que o Natal seja construído a cada dia do ano
Celebrado em verdade para não cair no profano
Seja esta festa um hino ao amor e á fraternidade
Que se cumpra a vontade de Deus e haja paz na humanidade.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Quero ser...
Quero ser a tua sede a fragrância e o elixir
Quando as aves se calarem e o sonho tiver acabado
Quero ser a sinfonia do presente e do passado
Trago rios de palavras que transbordam o meu ser
Segredos por desvendar e amor por acontecer
Trago o brilho das estrelas e os sorrisos da lua
O meu corpo em aguarela e a minh’alma pura e nua
Quando o Outono terminar e o Inverno tiver chegado
Quero ser a tua gruta de encontros com o pecado
Quero ser a tua história a referência e a memória
O fruto proibido num oásis em êxtase de licor
O delírio do teu leito em perfeita tempestade de amor.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Revolta...

Faz frio,
Lá fora o vento sopra, desmembrando as árvores agastadas
As nuvens correm como loucas, sem rumo desesperadas
E eu aqui…
Triste e humilhada pela minha impotência
Pelo silêncio na denúncia a tamanha violência
Faz frio…
Sobre as pedras da calçada, procuras um desencantado conforto
Poucas são as vestes que trazes e a fome deixa-te absorto
Numa outra rua, numa mesma fome num outro lugar
Onde uma mama secou, há uma criança a chorar…
E eu aqui…
Triste e humilhada pela minha impotência
Por não te puder valer na denúncia da carência
Faz frio…
E eu aqui…
Encarnando cada vida, cada momento triste
Cada hora mal passada, cada lágrima derramada
Enquanto lá fora o vento sopra e as nuvens correm como loucas
No meu grito solta-se a revolta que não chega às orelhas moucas…
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Hoje quero ser louca...
Quero ser louca
Quando os nossos olhares se encontrarem
E quando disseres que me amas
Quando saborear o suco dos teus beijos
E quando a paixão se der em chamas
Quero ser louca
Quando os teus dedos delinearem o meu corpo
Como quem procura um tesouro perdido
Quando tu e eu formos um só
E quando a minh’alma te servir de brigo
Quero ser louca
E quero entregar-me por inteiro
E em loucura te direi
Que és tu o meu amor primeiro.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Simplesmente só...

Ai de mim que tanto te amo
E que não te encontro nas minhas frias noites
Na escuridão não te vejo no caminho
E a saudade sangra-me o coração com açoites
Perfumei-me com aromas de flores silvestres
Para que sentisses no meu amor a liberdade
Á tua espera alimentei-me de paixão
Vestida de prazer e de verdade
Fiz a nossa cama em branco linho
E com pétalas de rosas abracei romãs
Embriaguei o amor com verde vinho
Mas sozinha acordei todas as manhãs.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Estou farta...

Estou farta de ser quem nunca fui
E de não ser quem realmente sou
Despi-me das falsas identidades
E será assim que agora me dou
Não me peças para ser quem queres que eu seja
Porque das outras já não me resta nada
Serei assim, serei eu mesma
De representar fiquei cansada
Já não temo as tuas ameaças
O teu grito já não me intimida
Fui eu uma manta de retalhos
De quantas as mulheres que te passaram pela vida
Ah! Quanta loucura ainda vive em ti
E em quantos mares de lágrimas eu já naveguei
Por seres insano sonhos perdi
Mas agora basta! Porque hoje mudei.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Odeio-te!
Oh! Profissão que me dás de comer
Que vergonha por te pertencer
Mas outra não conheci…
Nascida de ti fui criada
Explorada e mal tratada
E de tudo aprendi
Sacio a fome de homens
Carniceiros e lobisomens
De camisa bem vincada
Servem-se do prazer que não conheço
Tem meu corpo um conspurcado preço
Num saldo de uma qualquer estrada
Oh! Profissão que me dás de comer
Fala-me do amor ao anoitecer
Para que parta a sonhar
Desta vida estou cansada
Mata-me hoje na tua estrada
Antes que me voltem a usar.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Do tempo esquecido...

És tempo que o tempo já não sabe contar
Caravela que enfrenta as iras do mar
De velas rasgadas p’las intempéries da vida
No olhar o queixume das vivências de outrora
Aquele sentimento que teme mas implora
Que tragam de novo a mocidade perdida
No teu rosto adivinhasse a sabedoria
Das obras que edificaste um dia
Em prol de vermes da sociedade
Feitos que há muito foram esquecidos
Que do reconhecimento andam perdidos
Na gaveta de quem guarda muita inverdade...
Fortalece-te agora nas forças do vento
Renasce na vitória das entranhas do tempo
Antes que este se dilua e se esgote
Desperta agora todos os sentidos
Para que os vermes sejam punidos
E que ninguém mais te derrote.
domingo, 19 de outubro de 2008
"Os Alcorrazes" na RTP 1
Cantaram e encantaram, um desses momentos foi com este meu poema "Bairro Troino". Oiçam e saboreiem o Bairro onde nasci e cresci. Aqui deixo um carinhoso beijo no Coração deste Grupo que muito me orgulho de ser Amiga.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
O caminho...

Deixa que o sol entre na tua vida
Esquece as amarguras passadas
Existe uma oportunidade escondida
Para que as tuas noites voltem a ser estreladas
Segue o caminho da luz
Vai em frente, continua
Se é a vida que te seduz
Então prende-a porque ela é tua
Há um caminho secreto
Que só tu podes descobrir
E só ficará completo
Se caminhares a sorrir
Quando terminares a viagem
Esperar-te-ei na saída
Para te aliviar a bagagem
Que perturbou a tua vida.
domingo, 5 de outubro de 2008
As letras deste mar...
Desenhei-me com asas para voar
Em vales de sonhos e fantasias
Retratei pesadelos assombrosos
Cantei os amores mais fogosos
E partilhei as minhas alegrias
Fiz amor com os versos que escrevi
Declamei poemas que não li
E amei cada palavra registada
Musiquei rimas com o meu perfume
No palco das letras representei o ciúme
No papel da mulher, amante e depravada
Emergi por entre as letras deste mar
Vestida de asas para voar
Nas páginas da mais bela poesia
Transformei cada palavra sentida
Em abraços de amor pela vida
Com as asas que a inspiração me oferecia.








